Entrevistado da seção ‘O que há de mais importante na Fiocruz’: Umberto Trigueiros

dezembro 23rd, 2008

O jornalista Umberto Trigueiros, vice-diretor de Informação e Comunicação do Icict, tem uma extensa trajetória profissional na Fundação. Nessa entrevista, o editor do selo Fiocruz Vídeo lembra como foi importante trabalhar com Sérgio Arouca, da luta pela reforma sanitária e pela construção do SUS.

Qual a sua formação?
Estudei Ciências Sociais e também Literatura, mas sou jornalista profissional há mais de 40 anos e esta é a profissão da minha vida, com a qual me identifico plenamente.

Está há quanto tempo na Fiocruz? Já atuou em outros departamentos do Icict ou de outras unidades?
Tenho quase 22 anos de Fiocruz. Estive lotado na Ensp, na Comunicação Social da Presidência, que tive a honra de chefiar por quatro anos, e no Icict coordenei a VideoSaúde Distribuidora da Fiocruz. Agora, desempenho a Vice-Diretoria de Informação e Comunicação da Unidade. Exerci também os cargos de assessor de imprensa do Ministério da Saúde e de assessor-chefe de Comunicação Social da Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro.

Quais atividades desenvolve na Fundação?
Atualmente, como vice-diretor de Informação e Comunicação do Icict, coordeno os programas dessas áreas na unidade, como bibliotecas, Biblioteca Virtual em Saúde, Portal Fiocruz, VideoSaúde Distribuidora, Serviço de Desenvolvimento de Sistemas, Serviço de Programação Visual (Multimeios). Além disso, exerço a função de editor executivo do selo audiovisual Fiocruz Vídeo; sou membro do seu Conselho Curador e represento o Icict na Câmara Técnica de Informação, Comunicação e Informática.

Como é ser vice-diretor de Informação e Comunicação do Icict?
Tem sido um enorme desafio para mim que sou um profissional da área de Comunicação. O Icict é uma unidade relativamente nova, com um campo enorme para a criação e inovação. Há muito por fazer, mas estamos avançando rapidamente. Temos equipes que combinam bem a experiência de servidores mais antigos, com gente jovem, com muita energia e capacidade, aberta ao aprendizado e à mudança.

Qual o maior desafio em seu trabalho?
São vários os desafios. O primeiro é dar conta de todo esse trabalho e responsabilidade, muito embora, seja muito gratificante lidar com todas essas equipes, aprender com todos, com os erros e dificuldades, sentir orgulho de cada pequena conquista no avanço dos programas. Temos também o desafio de trabalhar na fronteira da tecnologia e da Ciência da Informação, sempre abertos ao novo, ao desenvolvimento. Pensando que nesse território não há verdades absolutas, a tecnologia mais moderna de hoje, amanhã estará sendo superada. Mas acho que o maior de todos os desafios é lidar com as pessoas, são as relações humanas e profissionais, reconhecer as capacidades, estimular o trabalho, o crescimento, a harmonia, a articulação, sem perder de vista nosso objetivo maior, que é servir à saúde pública e ao nosso povo.

Você é o editor do Fiocruz Vídeo. Quais são os objetivos do selo? Como funciona a produção e a distribuição?
O selo Fiocruz Vídeo foi criado em 2006, a partir das experiências exitosas da VideoSaúde Distribuidora e da Editora Fiocruz que gozam de grande credibilidade entre os produtores de vídeo e do mercado editorial. O principal objetivo do Fiocruz Vídeo é ampliar o espaço de difusão da informação sobre saúde, usando o fantástico instrumento de comunicação que é o audiovisual. O Fiocruz Vídeo seleciona produções de qualidade do acervo reunido pela VideoSaúde Distribuidora e também captando novos títulos para comercializá-los a baixo custo em feiras, congressos, universidades, livrarias, bancas de jornais e também por venda direta através da Editora Fiocruz.

Como foi lançar, pela primeira vez na história do Fiocruz Vídeo, um edital para produção de audiovisuais em saúde?
O concurso público, realizado no primeiro semestre de 2008, foi um sucesso, com 155 projetos concorrentes, vindos de todas as regiões do país. Foram selecionados sete projetos para a carteira de financiamento que contou com um recurso de 500 mil reais, sendo um vídeo de média metragem de ficção, um média-metragem documentário, dois documentários de curta-metragem e três de animação. Os projetos estão em execução. Um deles já foi finalizado e entregue, e outros dois estão sendo finalizados agora em dezembro. O Fiocruz Vídeo conta com uma editoria executiva e tem um Conselho Curador presidido pela vice-presidente de Ensino, Informação e Comunicação e composto por dez membros, sendo seis da Fiocruz e quatro externos.

Destaca alguma experiência significativa em sua carreira na Fiocruz?
Trabalhar na Fiocruz, para mim, tem sido uma experiência significativa quase que constantemente. Mas vou destacar alguns momentos muito relevantes, como foi trabalhar diretamente com Sérgio Arouca, uma figura humana extraordinária, um homem que pensava grande, comprometido com as grandes causas do povo brasileiro e que revitalizou a Fundação para esses novos tempos. Junto a ele e a muitos outros companheiros da Fiocruz e do campo democrático, pude participar ativamente da luta pela Constituinte, pela reforma sanitária e pela construção do SUS. (…) Mas o principal aqui na Fundação, para mim, é o espírito de colaboração, o compromisso das equipes, a disposição de sempre fazer mais e melhor que paira no ar.

O que representa a Fiocruz para você?
A Fiocruz é para mim uma conquista do povo brasileiro. Um esforço incrível de um povo sofrido, determinado e criativo que consegue construir com dinheiro público uma instituição de ponta em Ciência e Tecnologia e inovação em saúde inteiramente voltada para o bem-estar da sociedade, para o progresso e desenvolvimento do Brasil. Sinto-me aqui, neste pedacinho de Manguinhos, ajudando de alguma maneira a construir um projeto de Nação. Sinto-me bem, sinto-me digno.

Confira essa entrevista no site da Direh!

Entrevistada da seção ‘O que há de mais importante na Fiocruz’: Célia Landamann Szwarcwald

novembro 14th, 2008

Pós-doutora em probabilidade e estatística pela Southern Methodist University (Texas, EUA), a pesquisadora Célia Landamann Szwarcwald atua no Icict. Há 31 anos na Fiocruz, compõe também o Conselho de doutores da pós-graduação da Ensp.

Qual a sua formação?
Graduação em matemática pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (1973), mestrado em estatística e matemática – University of Rochester (1975), doutorado em saúde pública pela Fiocruz (1993) e pós-doutorado em probabilidade e estatística pela Southern Methodist University (1994).

Há quanto tempo está na Fiocruz?
Desde 1977.

Já atuou em outras unidades?
Sim. Iniciei minha carreira na Ensp, onde trabalhei de 1977 a 1985. Após a criação do Cict (hoje, Icict) em 1985, trabalho como pesquisadora titular dessa unidade e faço parte do Conselho de doutores da pós-graduação da Ensp.

Fale um pouco sobre sua atuação nos projetos de pesquisa do Icict.
Na área de informações em saúde, desenvolvo projetos em três temas principais: mortalidade infantil, Aids e inquéritos de saúde. Na área de mortalidade infantil, desenvolvo projetos para analisar a adequação das estatísticas vitais para o cálculo da mortalidade infantil e métodos de estimação desse indicador em municípios com informações precárias. Em relação à Aids, temos vários projetos em parceria com o PN-DST e Aids, para coletar informações úteis para subsidiar políticas públicas de prevenção e controle da epidemia no Brasil. Com esse fim, desenvolvemos vários inquéritos populacionais sobre práticas relacionadas à infecção pelo vírus HIV e estimação de taxa de prevalência. Quanto aos inquéritos, destacamos a Pesquisa Mundial de Saúde, aplicada no Brasil em 2003 para avaliação do desempenho do sistema nacional de saúde.

Quais linhas de pesquisa desenvolve?
Aids, estatísticas vitais, indicadores de mortalidade, inquéritos de saúde e desigualdades sociais em saúde.

Como você vê a pesquisa da Fiocruz no contexto da saúde pública brasileira?
A pesquisa da Fiocruz é um retrato da instituição, que está sempre na vanguarda em todas as áreas que atua. Ressalto a recente constituição da Comissão Nacional sobre Determinantes Sociais da Saúde, que deverá contribuir para o desenvolvimento de políticas de saúde voltadas à diminuição das desigualdades sociais em saúde.

Quais as suas perspectivas na Fiocruz?
Como trabalho na Fiocruz há 31 anos, já poderia me aposentar. Porém, como estou conseguindo conciliar minha vida profissional com a de avó, não penso em parar de trabalhar. No momento, coordeno um projeto dirigido a investigar o comportamento e as práticas de risco relacionadas ao HIV entre as profissionais do sexo. Para o ano de 2009, solicitamos para o projeto um financiamento para realização de um inquérito nacional para investigação dos determinantes sociais das doenças cardiovasculares e diabetes.

Gostaria de destacar algum trabalho publicado?
Sim. Gostaria de destacar o artigo On the World Health Organisation’s measurement of health inequalities, publicado na revista J Epidemiol Community Health, em 2002, que faz uma crítica à medida de desigualdade usada pela OMS no Relatório de 2000 e que foi usado como base para combater a metodologia da OMS utilizada para avaliação de desempenho dos sistemas de saúde. Gostaria também de destacar o suplemento dos Cadernos de Saúde Pública sobre a Pesquisa Mundial de Saúde, realizada em 2003 no Brasil. Finalmente, enfatizo o meu artigo mais recente, publicado no International Journal of Epidemiology, que mostra os avanços alcançados na notificação das informações vitais.

O que representa a Fiocruz para você?
Foi o meu berço profissional. Aqui construí minha carreira, aqui coordenei projetos, aqui desenvolvi minhas publicações. Pude estudar no Brasil e nos Estados Unidos, financiada pelo governo brasileiro, e sempre estimulada a me aperfeiçoar mais. Não somente isso – a Fiocruz sempre acreditou em mim e me deu toda e plena liberdade para representar a instituição, expondo resultados nacional e internacionalmente. De modo que a Fiocruz para mim é a minha vida profissional.

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