Entrevista com senador Álvaro Dias
Em entrevista realizada pela CBTU, o senador Álvaro Dias, há 40 anos na política, fala sobre o setor metroferroviário brasileiro.
A carreira política do senador Álvaro Dias (PSDB-PR) se iniciou em 1968, quando tornou-se vereador em Londrina, Paraná. Logo após, foi eleito vice-presidente da Câmara Municipal e líder do MDB. Exerceu cargos de deputado estadual, deputado federal, governador e vice-líder do PMDB no Senado. Fundou o partido PST, do Paraná. Presidiu a Telepar (Telecomunicações do Paraná). Retornou ao Senado em 1999, em seu segundo mandato como senador. Atuou como presidente nas comissões parlamentares de inquérito – a CPI do Futebol e a CPMI da Terra – e também como membro titular das comissões parlamentares de inquérito dos bingos e dos Correios. Em 2006, foi reeleito senador e em 2007, eleito vice-presidente do Senado Federal, tendo recebido no mesmo ano, na Califórnia, o diploma de Doutor honoris causa em Administração Governamental (Doctor of Government Administration) pela Southern States University.
CBTU – A Cidade nos Trilhos: Qual a sua visão sobre o transporte urbano de passageiros nas cidades brasileiras?
Álvaro Dias: A estimativa é que circulam nas cidades brasileiras aproximadamente 115 mil ônibus, transportando algo em torno de 55 milhões de passageiros por dia. O Brasil reproduz em grande medida a situação caótica que se disseminou pelos sistemas de transporte nos países latino-americanos. Pagamos um preço alto pela opção feita no passado pelo transporte rodoviário. A qualidade de vida da população é bastante comprometida em razão das precárias condições do transporte nas grandes cidades. Infelizmente, nossas cidades dispõem ainda de poucas linhas de metrô. Acredito que privilegiar o transporte sobre trilhos seja uma medida urgente e necessária. É inconcebível continuarmos atrelados ao transporte sobre pneus nas regiões metropolitanas.
“O transporte público precisa ser alçado ao patamar de necessidade humana básica, sendo equiparado à habitação, saneamento, segurança, entre outras políticas públicas. Essa mudança de mentalidade é vital e representa um dos grandes desafios do gestor público”.
CBTU – A Cidade nos Trilhos: Quais as perspectivas e os desafios para o transporte de passageiros sobre trilhos nas cidades brasileiras, nos próximos anos?
Álvaro Dias: As redes metroviárias de inúmeras metrópoles do mundo constituem, de longa data, a base dos seus respectivos sistemas de transporte público. Nesse contexto, se faz necessário dotar nossas cidades de maior mobilidade e oferecer à sociedade brasileira os benefícios advindos a partir da adoção das referidas redes. Estamos falando de significativas reduções de tempo nos deslocamentos, de ruídos, poluição atmosférica, bem como na diminuição dos acidentes de trânsito, economia de combustíveis, sem falar nos aspectos de conforto, segurança e rapidez. O transporte público precisa ser alçado ao patamar de necessidade humana básica, sendo equiparado à habitação, saneamento, segurança, entre outras políticas públicas. Essa mudança de mentalidade é vital e representa um dos grandes desafios do gestor público.
“Acredito que privilegiar o transporte sobre trilhos seja uma medida urgente e necessária. É inconcebível continuarmos atrelados ao transporte sobre pneus nas regiões metropolitanas”.
CBTU – A Cidade nos Trilhos: O que falta para termos transportes sobre trilhos nas cidades brasileiras?
Álvaro Dias: Uma política permanente voltada ao financiamento do transporte urbano sobre trilhos seria um passo importante. Uma linha de crédito ampliada para a infra-estrutura metroviária, com envolvimento inclusive de organismos e entidades de fomento internacionais, sem dúvida, deveria ser mais bem articulada. Reproduzo a opinião de especialistas na matéria, os quais ressaltam que transportar passageiros sobre trilhos reflete e se traduz em poder estruturador sobre a própria economia dos centros urbanos. Além de mais econômico, é gerador, inclusive de benefícios sociais. O foco e a mentalidade precisam ser ‘reciclados’.
P.S.: Entrevista feita pela Assessoria de Comunicação da CBTU. Cabeça, título e revisão feitos por mim.
Entrevista com Joubert Flores
Em entrevista realizada pela CBTU, Joubert Flores, presidente da Comissão Metroferroviária da ANTP, analisa o transporte sobre trilhos brasileiro.
O diretor de Relações Institucionais e Recursos Humanos do Metrô-Rio, Joubert Fortes Flores Filho, na companhia desde 1974, exerceu os cargos de coordenador de Infra-Estrutura Eletromecânica e coordenador de Engenharia de Planejamento e Controle de Manutenção. É engenheiro eletricista, formado na UFRJ – Universidade Federal do Rio de Janeiro, com MBA em Gerência de Energia, na Escola de Pós-Graduação em Economia da Fundação Getúlio Vargas. Presidiu a ABRAMAN – Associação Brasileira de Manutenção e a FIM – Federação Íbero-Americana de Manutenção. É presidente da Comissão Metroferroviária da Associação Nacional de Transportes Públicos – ANTP. Joubert é, também, co-autor do livro “Gestão Estratégica – Indicadores de Desempenho”, da Coleção Manutenção.
CBTU – A Cidade nos Trilhos: Na sua visão, o que é preciso para se ter um transporte integrado nas metrópoles brasileiras?
Joubert Fortes: Eu acho que é uma questão de ter primeiro uma política definida de integração que, hoje, não tem. Nós aqui no Rio temos os troncos da Supervia e do Metrô e, ao mesmo tempo, devia-se ter sistemas de ônibus como alimentadores deles, mas acaba tendo os ônibus como concorrentes desses sistemas. Então, tem uma situação meio caótica. Primeiro tem de ser definida uma política. E segundo, numa metrópole que nem a nossa ou São Paulo, a questão não pode se restringir ao município, tem que envolver toda a região metropolitana porque muitas viagens não têm origem daqui do centro. As pessoas vêm de outros municípios, como Niterói, Nova Iguaçu. Então, a integração tem que envolver isso tudo, não é simplesmente o que está no município. É uma questão de definição de política e uma questão de organização da região metropolitana. A integração não é circunstancial.
“Mas hoje há consciência de que primeiro o transporte metroferroviário é, realmente, um transporte de massa. O ônibus não é transporte de massa, é um transporte coletivo. O investimento em transporte de massa é alto, mas ecologicamente correto”.
CBTU – A Cidade nos Trilhos: Como está a integração nas operadoras metroferroviárias brasileiras?
Joubert Fortes: Existem situações diferenciadas, pelo menos as que eu conheço. São Paulo com a instituição do bilhete único tem uma integração temporal entre vários modais que, aparentemente, funciona bem. Não sei se economicamente está solucionada, mas em termos de benefício para o usuário está. Não adianta também pensar que esse negócio não tem custo. Tem que ser equilibrado. Eu sei que Recife tem uma boa integração, mas acho que tem problema também na partição econômica de quanto cada modal tem direito. Aqui no Rio acho que evoluiu de 2002 para hoje, tanto o Metrô quanto a Supervia. O Metrô, além das nossas linhas, hoje opera com três linhas de integração, sendo duas para a Gávea e uma para a Barra, operadas por nós mesmos. E nós temos mais de 13 linhas que são integrações compartilhadas com empresas que já tinham a concessão. E tem quatro linhas de integração intermunicipal, que envolve a região metropolitana. Lógico que se pode fazer muito mais, mas primeiro depende da capacidade de deslocar as pessoas, e é isso que está se tentando investir. Estamos também tendo integração com a Supervia, que também está fazendo o mesmo processo com integração de linhas de ônibus. Mas o que eu posso dizer é que se nós hoje transportamos de 550 mil passageiros/dia, 100 mil são oriundos da integração, seja das linhas que nós operamos, seja da Supervia, seja das 13 linhas que eu já citei. Então, perto dos 20% das pessoas que viajam entrando no sistema através de algum tipo de integração, isso é uma coisa que antes de 2002 não existia.
“É uma questão de definição de política e uma questão de organização da região metropolitana. A integração não é circunstancial”.
CBTU – A Cidade nos Trilhos: Quais são as perspectivas para o transporte sobre trilhos no país? Como é que você vê isso?
Joubert Fortes: As nossas cidades têm uma deturpação. No mundo, as cidades grandes como as nossas têm, também, sistemas de transporte público grandes. Isso acontece em Paris, Nova York, nas cidades da Ásia, ou em qualquer lugar que se pensar. Certamente, as cidades cresceram junto com esses sistemas. Tem sistemas que têm mais de 150 anos. Os nossos aqui não são tão antigos. Então, acaba que a gente tem que construir sistemas metroferroviários nas cidades existentes. Mas hoje há consciência de que primeiro o transporte metroferroviário é, realmente, um transporte de massa. O ônibus não é transporte de massa, é um transporte coletivo. O investimento em transporte de massa é alto, mas ecologicamente correto. Tudo isso tem que ser levado em conta. Existe essa consciência hoje, apesar de estarmos atrasados. Hoje, tem sistemas relativamente bons em seis cidades do Brasil: São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Recife, Belo Horizonte e Brasília. Há possibilidade de crescimento em Belo Horizonte, Recife, Salvador e Fortaleza. Tem investimentos nesses quatro lugares. O governo de São Paulo está investindo pesado e nós aqui, que somos operadores privados, estamos negociando com o Estado para que passemos também a investir na expansão do sistema. Se pensarmos assim, estamos com oito sistemas no Brasil com investimentos. É lógico que estão faltando investimentos, mas há alguns anos nenhum deles estavam investindo ou investindo a quantia mínima perto da necessidade. Acho que hoje se tem uma consciência e cada estado, cada região estão descobrindo à sua maneira ou apoiados pelo governo federal ou pelo governo estadual ou até pela iniciativa privada, como é aqui no Rio.
CBTU – A Cidade nos Trilhos: Como é que vocês vêem a Copa de 2014? Existe algum planejamento?
Joubert Fortes: Nós operamos no Pan, principalmente na abertura dos jogos que aconteceu no Maracanã, cerca de 126/128 mil pessoas/hora, que é um número considerável. O investimento que planejamos fazer em três anos irá dobrar a capacidade até 2010. Estamos com a possibilidade de deslocar 50 mil pessoas/hora numa estação como a Maracanã. Com o atual tamanho do estádio que hoje não cabe mais 200 mil pessoas e com toda a regulamentação da FIFA, será um estádio menor, ou seja, em torno de 70 mil pessoas. Essa capacidade é suficiente para escoar todos, até porque também tem a Supervia. Esse investimento que estamos fazendo não é por causa da Copa, mas atende perfeitamente as necessidades, inclusive já mostramos isto para a CBF – Confederação Brasileira de Futebol.
P.S.: Entrevista feita pela jornalista da CBTU Eucládia Marques. Cabeça, título e revisão feitos por mim.
Entrevistas na CBTU | Comments (0)Entrevista com Chico Alencar
Em entrevista realizada pela CBTU, o deputado federal Chico Alencar fala sobre os transportes metroferroviários.
Além dos cargos políticos de vereador, deputado estadual e deputado federal pelo PT do Rio de Janeiro, exercidos ao longo de 17 anos, o deputado federal (PSOL/RJ) Chico Alencar é historiador, professor, autor e co-autor de inúmeros livros didáticos e infanto-juvenis. Fundou e presidiu a Associação de Moradores da Praça Saens Peña (AMOAPRA), foi diretor e presidente da Federação das Associações de Moradores do Estado do Rio de Janeiro (FAMERJ). Presidiu, também, a Comissão de Educação e Cultura da Câmara Municipal do Rio de Janeiro. Atualmente, é membro do Conselho de Ética da Câmara dos Deputados.
CBTU – A Cidade nos Trilhos: Quais os desafios do transporte urbano nas grandes cidades, nos próximos anos?
Chico Alencar: O grande desafio, que já é desse ano, da hora e do futuro imediato é começar a alterar a carrocracia, a idéia e o mito do transporte individual e avançar não para o transporte coletivo, mas para o transporte de massa. Sem isso, as nossas grandes cidades vão virar um caos e as cidades médias caminharão para isso também. Fora o transporte de massa por via fluvial, aquaviário ou onde couber ou ferroviário, onde a decisão política for tomada, ou nós não sairemos de um grande engarrafamento, um grande gargalo que impossibilita a vida nas grandes cidades. Eu tenho convicção absoluta disso.
“Porque a cidade não se move só pelos diagnósticos e pelas generosas conclusões voltadas para o interesse coletivo, público. Ela se move também por interesses econômicos, pela força de determinados grupos sociais”.
CBTU – A Cidade nos Trilhos: O que falta para que o transporte metroferroviário aconteça?
Chico Alencar: O diagnóstico é fácil. Uma pessoa com o mínimo de racionalidade vai entender que só o transporte de massas resolve o problema da circulação das pessoas nos centros urbanos.
“Isso contraria interesses e, agora, não só da indústria automobilística e do carro individual, mas também, das empresas de ônibus muito poderosas, que elegem vários vereadores e governantes, aí os governos têm que entrar inclusive eventualmente junto e onde couber com a iniciativa privada nessa perspectiva do transporte de massa”.
CBTU – A Cidade nos Trilhos: E por que não se viabiliza?
Chico Alencar: Porque a cidade não se move só pelos diagnósticos e pelas generosas conclusões voltadas para o interesse coletivo, público. Ela se move também por interesses econômicos, pela força de determinados grupos sociais. Aí é uma questão de mover o desenvolvimento e, eu na minha vida que não é tão curta assim, mas não é centenária, vivi no meu Rio de Janeiro como capital da república a força dos transportes e dos trens. Eu sou do tempo da Central, da Leopoldina, que transportava a população que trabalhava no centro do Rio de forma maciça. Eu sou testemunha da decadência, a partir do momento em que a idéia do desenvolvimento no Brasil, do desenvolvimento nos anos JK, sustentada na indústria automobilística e essa crise também foi acontecendo e depois de muito sofrimento se percebeu a inviabilidade dessa opção exclusiva, que foi destruindo as nossas ferrovias pelo Brasil inteiro, o que é uma lástima. Tem é que modernizá-las, ampliá-las como em muitos países da Europa fizeram exemplarmente. Bastava nós que somos, em geral, macacos de imitação desses modelos copiar, mas não. A premência da indústria automobilística acabou criando essa situação, que não é exclusiva do Brasil, mas aqui é particularmente forte. Então, é hora de reorientar esses modelos. O metrô é uma tentativa de começar a criar uma alternativa viável, mas ela ficou muito tímida, muito insuficiente; de novo no meu Rio de Janeiro. O metrô ainda é ridículo para transportar a população. Eu creio que agora chegou o momento, em pleno século XXI, um novo paradigma de desenvolvimento para sobrevivência humana, a famosa decisão política. Isso contraria interesses e, agora, não só da indústria automobilística e do carro individual, mas também, das empresas de ônibus muito poderosas, que elegem vários vereadores e governantes, aí os governos têm que entrar inclusive eventualmente junto e onde couber com a iniciativa privada nessa perspectiva do transporte de massa.
“Então, com seriedade, com projetos, com parceria entre entes da federação sob a liderança do governo federal, a gente tem que ter um programa de transporte de massa para o Brasil sobre trilhos, metroferroviário”.
CBTU – A Cidade nos Trilhos: O transporte de massa seria a solução para mobilidade urbana?
Chico Alencar: Eu não tenho dúvida. Esse é o caminho. Se quiser transporte solidário no automóvel é até bonito, mas não resolve. Nós temos inclusive aqui em Brasília, a situação também está ficando inviável. Como é uma cidade concebida na era JK, com as grandes avenidas do arquiteto, socialista e urbanista Lúcio Costa, eles pensavam Brasília como uma exceção. O metrô de Brasília está ainda no começo.
CBTU – A Cidade nos Trilhos: Em relação ao investimento no transporte sobre trilhos, qual é o papel do governo federal?
Chico Alencar: É um papel decisivo, imprescindível. Agora o governo concentra todo o seu esforço de investimento no chamado PAC. A gente tinha que ter um capítulo especialíssimo dentro da visão de aceleração do crescimento que aliás, não é uma boa expressão. Temos que pensar no desenvolvimento que é um conceito mais abrangente no transporte de massa das regiões metropolitanas do Brasil. Não estou nem falando ainda na recuperação da ligação sobre trilhos das grandes metrópoles, como por exemplo, a decadência da ligação Rio e São Paulo por trem, como eu já viajei muitas vezes na minha infância. Ela agora está mostrando todos os seus efeitos terríveis, com os acidentes e crises aéreas e aí a gente volta a lembrar do trem-bala. Sempre começamos com uma visão megalomaníaca, depois baixa a bola um pouquinho, mas o pior é que vai do projeto fantástico, o melhor do mundo, o mais avançado nem se compara com o TGV lá da França e cai para o nada. Então, com seriedade, com projetos, com parceria entre entes da federação sob a liderança do governo federal, a gente tem que ter um programa de transporte de massa para o Brasil sobre trilhos, metroferroviário.
P.S.: Entrevista feita pela jornalista da CBTU Eucládia Marques. Cabeça, título e revisão feitos por mim.
Entrevistas na CBTU | Comments (0)Chamada de evento da CBTU-Metrorec
A CBTU-Metrorec apresentará, hoje, às 14:00h, na Estação Recife, exibição teatral e musical, recital poético e premiações aos leitores mais assíduos da Biblioteca Leitura nos Trilhos, em comemoração ao seu primeiro ano de vida. Contará com a presença do superintendente da Companhia, Sileno Guedes, da coordenadora do Instituto Brasil Leitor, Graça Garcia, além da presidente da Companhia Editora de Pernambuco (CEPE), Lêda Alves.
Matérias na CBTU | Comments (0)Entrevista com Marco Arildo
Em entrevista realizada pela CBTU, no VII Seminário Metroferroviário, o presidente da Trensurb, Marco Arildo, analisa o transporte sobre trilhos no país.
CBTU – A Cidade nos Trilhos: Qual é a sua visão sobre o transporte urbano de passageiros nas cidades brasileiras?
Marco Arildo: Ele é fundamental para atividade econômica, mas o transporte na cidade tem de ser atualizado. Hoje, algumas experiências importantes como Recife, a Fundação do Consórcio Metropolitano; Curitiba, que já diferentemente do conjunto das cidades brasileiras, tem uma cultura de planejamento. Nós temos que construir redes integradas de transporte que articule todos os modais. Para facilitar o acesso ao transporte, a questão da tarifa é fundamental. No Brasil, não tem previsão legal, condicional, nas regiões metropolitanas, de gestão compartilhada. Tem a figura do consórcio público que, ainda assim, pode suprir essa lacuna. Mas, ainda depende muito de muita vontade política. Nós, cada vez mais, temos de olhar o que está acontecendo no primeiro mundo. A cidade do Porto, 240 mil habitantes; grande Porto, um milhão e novecentos mil habitantes; tem cinco vezes de metrô, cinco linhas de metrô. Lá, eu não tenho a menor dúvida de que o transporte coletivo transporta muito mais do que o individual. E, hoje, no Brasil nós temos apenas três cidades que transportam mais pelo coletivo do que pelo individual: Empol, Campinas e Curitiba. Em Porto Alegre, nós estamos tentando, com muita dificuldade, muita disputa política. Nós temos que aprender a sermos mais republicanos no Brasil para que as instituições funcionem corretamente e que possam, se Deus quiser, esses projetos serem articulados por todas as esferas de governo. Na realidade, é um pouco da cultura política brasileira, que nós temos que vencer. E isso no transporte, aliado a essa desarticulação do setor político, do setor estatal, público, tem uma influência muito grande do setor privado, que manda nos sistemas, que impõe os seus interesses em cima do interesse público. De uma vez por todas, submeter o setor privado ao interesse público. É uma concessão pública, eles têm que estar submetidos ao interesse público. Então, nos metrôs, que a gente participa de eventos como esse aqui e se ouve muito: “mas tudo que é metrô é deficitário, é subsidiado.” Isso é para gente não botar a mão na consciência e dizer: olha, vocês são incompetentes, não atacam os custos, não olham os objetivos da empresa, não focam em resultado; é um pouco isso. Então, na minha visão, o transporte público tem papel fundamental, mas no Brasil tem que melhorar muito. Para ficar ruim tem que melhorar muito.
CBTU – A Cidade nos Trilhos: O que falta para termos transportes sobre trilhos nas cidades brasileiras?
Marco Arildo: Duas coisas fundamentais: planejamento e redução de custo interno das empresas. Para que haja, por parte do administrador, a escolha efetiva do metrô, este deve custar menos do que custa hoje, tanto na sua implantação, quanto na sua manutenção. Hoje, por exemplo, a Trensurb, que é uma empresa pequena, talvez a menor do Brasil de metrô, consome 100 milhões de reais por ano. Então, nós temos que custar muito mais barato para o poder público, sermos muito mais eficientes e termos redes integradas, articuladas a esses transportes. Hoje não podemos mais projetar, planejar linhas de metrô ou de VLT; nós temos que ter sistemas, olhar a região metropolitana como um todo. Então o trabalhador lá no seu bairro, na sua vila, entra no sistema, pega o ônibus, faz integração com o metrô, sai do metrô e pega outro ônibus. Isso tudo tem que estar articulado e integrado e, de preferência, com uma tarifa só para que as pessoas possam ter o direito de um transporte de qualidade.
P.S.: Esta entrevista foi feita por mim e pelos jornalistas Élcio Melo e Eucládia Marques, ambos da CBTU.
Entrevistas na CBTU | Comments (0)Chamada de concurso da CBTU
Lançamento do 4º Concurso de Monografia CBTU 2008 – A Cidade nos Trilhos
O lançamento do 4º Concurso de Monografia CBTU 2008 – A Cidade nos Trilhos acontecerá na próxima quarta-feira, dia 07, às 11:30, no Auditório Arquimedes Memória, na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ. Serão apresentadas as monografias premiadas do Rio de Janeiro na 3ª edição do concurso.
Valéria Xavier da Costa, arquiteta da Companhia, apresentará o seguinte tema: “O Transporte Não Motorizado Integrado ao Sistema de Transporte Sobre Trilhos para uma Mobilidade Urbana Sustentável: Intermodalidade no Corredor Aranjuez-Madrid”. Em seminário de lançamento do concurso, realizado em 14 de abril deste ano na Universidade Federal Fluminense – UFF, Valéria recebeu Menção Honrosa por este trabalho.
A dupla Richard Magdalena Stephan e Eduardo Gonçalves David irá expor o trabalho “Maglev-Cobra: O Transporte”, que trata de um veículo de levitação magnética (Maglev), baseado numa tecnologia inovadora na qual é empregada propriedade diamagnética de supercondutores de elevada temperatura crítica como uma alternativa economicamente viável para a crise do transporte urbano.
Local do evento:
Auditório Arquimedes Memória
Prédio da Reitoria, 3º andar
Cidade Universitária, Rio de Janeiro
Chamada do evento ‘Encontro Marcado’ da CBTU
“Aeromóvel” será apresentado em Encontro Marcado
Uma alternativa de transporte de baixo custo que reduz o tempo médio de viagem, preparado para atender até 25 mil passageiros/hora-sentido e que se movimenta sobre rodas de aço em trilhos tradicionais, através do ar que é insuflado pela ação de ventiladores centrífugos de acionamento elétrico, chama-se Aeromóvel. Este será o tema apresentado por Oskar Coester na próxima quinta-feira (24), às 14h, no auditório da Administração Central da CBTU, na 12ª edição do Encontro Marcado.
Em Porto Alegre, desde 1983, uma linha-piloto de teste opera com regularidade, onde são certificados os componentes da tecnologia. Segundo Parecer Técnico do Grupo de Trabalho que analisa o projeto, “o Aeromóvel apresenta-se adequado para linhas de curta distância e com volume significativo de passageiros em situações não cobertas por outros meios de transporte coletivo. Um exemplo adequado de aplicação seria linhas de ligação entre Terminais Aeroportuários.” Só para se ter uma idéia do transporte, em Jakarta, na Indonésia, o projeto foi implementado com sucesso em 1989. Constitui-se de uma linha circular construída no interior de um parque ecológico, que abriga centros de convenções, teatros, hotéis, entre outros pontos comerciais.
Matérias na CBTU | Comments (0)Cobertura do Seminário do Concurso de Monografia CBTU-2008
Seminário do Concurso de Monografia CBTU-2008 é realizado na UFF, nesta segunda-feira
O diretor da Escola de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal Fluminense – UFF, Jerônimo Leitão, abriu o seminário do Concurso de Monografia CBTU-2008, nesta segunda-feira, dia 14 de abril, destacando a importância desse evento para integração da pesquisa, realizada pela universidade, com os órgãos governamentais, que implementam ações e agradeceu a presença da CBTU na UFF.
Na seqüência, o assessor do Departamento de Marketing e Comunicação Institucional da CBTU, Yuri Scala, agradeceu em nome da companhia o espaço que a UFF disponibilizou para realização do evento e convidou Marcos Coelho, chefe do Departamento de Estudos em Transporte e Desenvolvimento Urbano e Regional da CBTU, a apresentar o lançamento do Concurso de Monografia CBTU-2008.
No lançamento, Marcos Coelho informou dados estatísticos das edições anteriores do concurso, bem como, a abertura das inscrições, que já estão acontecendo e o prazo de entrega das monografias, que findará em setembro deste ano.
Iniciaram-se, em seguida, as apresentações dos participantes do Concurso de Monografia CBTU-2007 com Ricardo Pinto, que expôs o trabalho “Organização do espaço urbano através do transporte – Baía de Guanabara”. Posteriormente, Valéria Xavier, arquiteta da CBTU, apresentou o tema “O transporte não motorizado integrado ao sistema de transporte sobre trilhos para uma mobilidade sustentável”. E, por último, Marcus César da Cruz apresentou o trabalho “Ensaios para reestruturação da paisagem do corredor ferroviário suburbano”.
As apresentações do evento se encerraram com a palestra: “Sistema de média capacidade sobre trilhos para cidades brasileiras”, proferida pelo economista do Departamento de Projetos Especiais da CBTU, Fernando Senna.
Ao final, Yuri Scala e o professor e coordenador do curso de arquitetura e urbanismo da UFF, Werther Holzer, agradeceram a presença de todos e houve doação de monografias para a biblioteca da universidade e para seus alunos.
Matérias na CBTU | Comments (0)Cobertura do VII Seminário Metroferroviário
O VII Seminário Metroferroviário, promovido pela ANTP, reinicia nesta sexta-feira (28/03), no Hotel Sofitel, em Copacabana, Rio de Janeiro, com a palestra “Cenários do setor de energia no Brasil voltado ao transporte sobre trilhos”, coordenada pelo assessor da Coordenadoria de Operações da CBTU-Metrorec, Maurício Meirelles. O tema abordado destaca os principais problemas do setor energético, focados na escassez e nos contratos de fornecimento de energia. O palestrante e superintendente da Delta Comercializadora de Energia, Mateus Aranha Andrade, apontou a utilização da energia nuclear no Brasil como uma potencialidade de aproveitamento hidráulico que, ainda, não foi explorada na Região Sudeste. Propôs alternativas para o uso dessa energia na Região Nordeste como: aproveitar a energia abundante da Amazônia, por meio de seu puxamento, já que, segundo sua previsão, nos próximos cinco anos, o gás natural se esgotará; bem como, a construção de uma usina nuclear na Região Metropolitana de Recife, já indicada por estudos técnicos.
Para Mateus, os problemas ambientais são inibidores da construção de hidrelétricas devido às configurações geográficas, que não mais permitem a criação de uma usina como a de Itaipu, de 20 anos atrás; assim como as reparações do meio ambiente, que estão mais caras por causa da preservação de florestas. Questionado quanto à construção das Pequenas Centrais Hidroelétricas, disse que deve ser analisada por necessitarem de investimentos em torno de R$ 100 milhões.
Mateus vê como primeira alternativa às operadoras metroferroviárias o mercado livre. Participaram também do tema os debatedores Joubert Flores, presidente da Comissão Metroferroviária da ANTP e Manoel da Silva Ferreira Filho, presidente da AEAMESP (Associação dos Engenheiros e Arquitetos do Metrô de São Paulo).
Logo após o intervalo do evento, foi apresentada a palestra “Gerenciamento de Ativos”, baseada no investimento versus manutenção; novo modelo para fazer o gerenciamento de seus ativos, tendo como expositor o gerente de Manutenção do Metrô-Rio, José Carlos Alves e os debatedores Joubert Flores, diretor de Relações Institucionais do Metrô-Rio e Marco Arildo Prates da Cunha, presidente da Trensurb, além do coordenador, Clóvis Picanço, diretor de Desenvolvimento e Tecnologia do Metrofor.
Matérias na CBTU | Comments (0)Repórter CBTU
O ‘Repórter CBTU’ é um espaço de jornalismo participativo, no site da CBTU – Companhia Brasileira de Trens Urbanos, que reúne notícias e fotos sobre transporte urbano feitas por você.
Qualquer notícia relevante de transporte urbano do país que você testemunhe pode ser enviada. Para participar, basta seguir as orientações abaixo:
-> Somente serão publicados textos e fotos noticiosos, nunca opinativos, os artigos devem tratar só com fatos e as suas conseqüências verificáveis;
O conteúdo do texto e/ou as imagens deverão ser obrigatoriamente de autoria de quem os envia;
-> A publicação do conteúdo está sujeita à aprovação da equipe de jornalistas da CBTU; Todos os textos e imagens publicados serão assinados pelo(s) autor(es) que os enviaram;
Os textos poderão ter, no máximo, 4 mil caracteres, contando os espaços; Os arquivos poderão ter, no máximo, 2 megabytes;
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Eu também já colaborei com a seção ‘Repórter CBTU’. Se quiser conferir minha matéria, intitulada de ‘Visita de Lula muda trânsito no Rio’, basta selecionar a seção no filtro ‘Informativos CBTU’, na página principal do site.
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